
Há caminhos que nos levam a parte incerta, contudo, continuamos a seguir por eles sem que nos insurjamos contra os ditos. Haverá uma incomensurável possibilidade de desejar a sua essência, mas jamais seremos capazes de nos revelarmos como realmente somos, já que esses caminhos nos possibilitam uma imensa vontade de querer fugir da realidade que cerca a nossa vida.
Com tamanha envolvência nos revelamos seres perfeitamente puéreis e inóspitos no que diz respeito à luz da consciência individual. Somos detentores de uma dimensão complicada e cujo legado nos é transmitido pela incerteza da mundividência de cada um de nós.
Acalentamos frágeis esperanças que nos rementem para a alteridade, todavia, somos impotentes no que concerne à envoltura do nosso desejo. Vemo-nos rodeados de infrutíferas tentações que, incapazes de se realizar, tornam-se introspecções inértes de sentimentos radicais e elementares como é o exemplo da raiva que sinto no instante em que me encontro. Raiva por não conseguir resolver uma bucolicidade vivencial.
Não me encontro em situação de resolver o que quer que seja, independentemente disso se traduzir na falta de capacidade ou mesmo coragem, já que não sei o que mais desejo no momento primordial do instante em que nos encontramos. Seremos incapazes de solucionar esta problemática ou serei eu apenas o único que, efectivamente, sinto tal sentimento?!
Tampouco me quero preocupar com a resolução imediata deste assunto, já que a passagem do tempo encarregar-se-á da temátiva em questão. É o tempo o melhor dos assuntos, e é também o tempo o melhor dos conselheiros.
Assalamo Philosophicus

1 Elucidações:
A alteridade não pode ser encarada como um tema tão banal que possa ser descrito em tão poucas palavras. As tentações a que estamos sujeitos, nada têm que ver com a raiva ou algum sentimento interior. Somos tentados pela radicalização do real exterior. A obectividade confina uma realidade que nos ultrapassa das margens sónicas do poço da virtude. Os assuntos mais marcantes são aqueles que se revelam mais docemente na dificuldade do desconhecido. A continuidade da discussão levar-nos-ia à pobre religiosidade inumana do Ser de Ser-de-Si!
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