Nas vivências da nossa ipseidade fui encontrando alguns, se não mesmo muitos, profícuos elementos que se tocam. Estranho! (?) Mas o que dizer daqueles que em nada se coadunam?
Terão mesmo que se coadunar?! Acho que é o que menos importa.
Indizível, a totalidade daquilo que é sentido.
Inaudível a sensação da sonoridade daquele Silêncio, talvez jurisprudente, mas ainda assim sem corda de auxílio e, todavia, nunca jamais ninguém poderá entender o sentido deste Silêncio sentido. Desejo surreal, querer dignatário de solidão, contudo, vontade de presenciamento constante ainda que libertário.
Do flagelo dum constante estado de Viver, onde jaz um passado inesquecível ainda que gargular (horrível que nem gárgulas). Todo o pessimismo fez-me querê-lo ainda mais. E a Ti, mais ainda! Nas catacumbas do "Silenciamento" quero permanecer os restantes dias, pois é lá que me sinto realmente deleitado. Naquelas fervilhantes e incomensuráveis lutas, paulatinamente desemborcadas por heróis de tragicomédias, sustenho-me. Cintilando nos olhares mais luzentes, nas profundas construções de Ti, sonho e materializo. Roçando nas dúvidas, deixando fugir beleza onírica, pois nela não reza a Vida, anseio pelo Teu doce beijo da Morte. Gritos, imperfeições, história e Morte.
Somos Nós! Somos? Meramente?
Tampouco quis parecer superior, erudito ou pungente. Irritantemente rodeado por quem não queria, imbricava nas ilusões do querer Ter (simplesmente para o mencionar, independentemente da forma). Mas não era visceral. Este sentir será?! O que o distingue?! O Nada. É isso que o distingue. O sentir consentido e com sentido. A busca, a matança, a dor, a queda, o fruir, o medo e a revolta.
O querer ter Tudo o que se pode ter de quem diz nos ter dado. O ser-se Nada. O ser-se Tudo aquilo que não se consegue. O abismo. A quimera. A vigília, o sonho e a constatação de que a realidade pode ser irreal ou a irrealidade Real. És Tu, Eu e Nós. E novamente morte e dilaceração. Reunião e exílio no mundo de quem não pretende ser lembrado. Mas também não quer ser esquecido ou seja, vivendo na Saudade. Uma hecatombe pluridimensional do sentir, onde a radicalidade da indefinição fomenta o querer continuar estar Aqui, agora e Mais Além. Esta certeza da incerteza torna ágil a certificação do que se julga querer crer como Certo. Já nada é certo! Há, apenas, certezas momentâneas. E mesmo estas, serão de verdadeiras ou meramente verificáveis?
Mas há, todavia, certezas momentâneas de perdurabilidade incessante. Parece contradição?
Tal qual moribundo, deixar-me-ei levar por Ti. Flagelante, sei que me “matarás”. Mas será aí, nesse mesmo momento que irás perceber do que falo. No momento em que esperas que nunca chegue ao fim e, caso chegue, nunca que me seja suficiente eu te direi (ou talvez não seja suficientemente vivo para pronunciar, ainda assim saberás): Teu! Subtraíste a minha vida a um simples momento, multiplicaste-lhe a vontade, somando-lhe abnegação, para poder dividi-la Contigo.
Fácil não é sentir quando tudo aparenta estar bem, é sim sentir simplesmente. Difícil não é sentir sem o dizer, nem dizer sem senti-lo, difícil é não sentir o que se sente, é aceitar que se quer sentir mesmo quando não se pode nem se devia querer. Tudo pode ser querido! Mas nem tudo pode ser tido. E todo o meu “Tudo” é pautado por Ti, milagre do meu silêncio. “Nada” é, e se o é, não pode "não-ser". E se dizes que pode vir a sê-lo, dir-te-ei, se o é, então, é porque nunca o foi. E no “não” que é dito e tido, buscarei o resquício de “sim” que outrora vislumbrei. Lutando? Talvez sim, mas não me preocuparei em morrer antes do acontecimento. Escolher a morte é algo diferente.
Preocupar-me antecipadamente com o morrer é coisa que não tenciono fazer. O corpo até poderá permanecer, mas quanto ao resto não te posso garantir que continue após Ti, aquando da não "existência" tua em Mim. O fechamento será inevitável, assim como foi esta abertura. Selei, porque não quero que mais nenhum intruso entre. A invasão que pautaste ocupa o lugar devido. Saindo, caso não “feches” a porta, farei questão de a fechar por Ti. Ficando Corpo. Porque eu farei com que a "Morte" surja para os demais, não por birra, nem por infantilidade, mas por simples necessidade.
Di-lo-ei enquanto me for Permitido. Partirei, mas não irei só. Te garanto! Como posso garantir algo que ainda não aconteceu? Garanto aquilo que Quero possuir livremente. Egoísmo? Creio que não, mas ainda que o seja é-o verdadeiramente.
Nada e Silêncio no doce “massacre”!
Morte e Mortificação. Recolha e acolhimento. Saudade e Folha Escrita!
Raiva da mesmidade acolher o que não se desejava. Simplista? De todo. Posso agora Voar... Sempre aqui estiveste, ainda que não queiras ter estado. E, todavia, irás permanecer. Simplesmente por Ti (porque a palavra maldita, materializa-se a cada instante, sim…, incessantemente). Meu Silêncio, Criaste-me!
Vivendo em Ti...
Terça-feira, Setembro 29, 2009
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